Oxigênio para sua organização – Catalizador O²

Oxigênio para sua organização – Catalizador O²

Recentemente a Target Teal, uma org-rede de facilitadores interdependentes que ajudam organizações na adoção de novas tecnologias sociais, lançou o O²: Organização Orgânica - um catalisador para auto-organização. Num criativo e oportuno trocadilho com o símbolo do oxigênio, o O² teve seu primeiro post explicativo no último dia 18 de julho e mais detalhes ainda estão por vir.

Devido à sua semelhança à Holacracia, enviei algumas questões para o time da Target Teal (TT) que fizeram a gentileza de responder e as respostas você confere agora:

buzON: Lendo o artigo Introdução ao O2: um catalisador para auto-organização vemos muitas semelhanças com a Holacracia, de Brian Robertson. Quais seriam as principais diferenças entre o O2 e a Holacracia?

TT: A Holacracia é definida em um documento chamado de Constituição, com regras que são seguidas por todos na organização. Assim estabelece-se um meta-processo que permite entre outras coisas a distribuição explícita de autoridade. No O2 temos um documento parecido, o Game Book, porém ele é menos restritivo, permite adaptações (patches) e é mais amplo, pois abre o espaço para cuidar do que chamamos de espaço tribal ou das relações interpessoais.

Além disso, o O2 possui outros dois documentos (ainda na fase pré-beta) o Pattern Book (Livro de Padrões) e o Rogue Book (Livro do Agente de Mudança). O primeiro busca sistematizar padrões e antipadrões que podem ser usados como referências para a organização cuidar de temas e problemas que o Game Book não trata de maneira específica, exemplos: estratégia organizacional, definição de salários e conversas difíceis.

Já o Rogue Book deverá auxiliar as pessoas que querem usar o catalisador O2 para acelerar processos de transição de um modelo de gestão tradicional hierárquico para um baseado na auto-organização. Cada um dos três livros é importante dentro do O2, por isso não consideramos o O2 um framework como a Holacracia. Existem outras diferenças específicas em algumas práticas, mas as diferenças gerais são essas.

Veja também: Gestão sem Gerentes, com Matheus Haddad

buzON: Uma das 5 funções básicas do O2 é “Sincronizar”. Esse sempre foi um grande problema em grandes empresas, mesmo aquelas fazendo ágil. Quais seriam as principais causas desta dificuldade de sincronismo, na visão de vocês?

TT: Pensamos “Sincronizar” como um processo que pode acontecer a qualquer momento na livre interação entre qualquer membro de uma organização. Acontece quando compartilhamos ou pedimos uma informação, quando fazemos pedidos específicos (ações e projetos) a partir de um papel que exercemos para um papel exercido por outra pessoa. As principais causas da dificuldade em sincronizar podem estar na frequência insuficiente, pouca transparência e baixos níveis de autonomia.

Um dos motivos que grandes empresas têm dificuldade em manter a frequência pode estar relacionado com a dificuldade de manter rituais de sincronização funcionando, ou porque não existe um papel de facilitador de reunião ou porque não existe um processo que dê agilidade e eficiência para a reunião.

Já a pouca transparência é algo endêmico nas grandes empresas. Começa com a ideia que as informações devem fluir seguindo a cadeia de comando, de que as pessoas não podem ser distraídas com informações que não competem ao cargo dela, ou que elas não têm maturidade para lidar com elas. Encarar a transparência como algo que precisa ser regulado dentro de uma organização está profundamente relacionado com a nossa necessidade de manter o controle, inclusive sobre as pessoas. Só que ao limitarmos a transparência, limitamos a sincronização e em um nível mais amplo a auto-organização.

A baixa autonomia afeta a sincronização de uma maneira peculiar. Se eu não tenho a prerrogativa para tomar decisões pois tenho que consultar um gestor ou buscar consenso do meu time, eu fico tolhido na minha capacidade de fazer pedidos e aceitar pedidos que eu considere importante para os papéis que desempenho e assim limito o processo de sincronização. Não basta compartilharmos informações livremente, precisamos de um certo grau de autonomia para podermos decidir e agir frente um novo fato. Veja que não é autonomia no sentido de fazer o que dá na telha, sem levar em consideração o contexto, é atuar em prol de um propósito dentro de um papel que foi criado para servir a organização.    

Veja também a entrevista que fiz com Davi Gabriel sobre Holacracia.

buzON: Outra função básica do O2 é “Cuidar”. Poderiam dar alguns exemplos de ações que poderiam ser realizadas neste contexto?

TT: Talvez a característica mais importante da função “Cuidar” seja justamente essa: não há um formato pré-definido ou um script a ser seguido. É um momento para cuidar das relações e falar das necessidades individuais, portanto um processo muito subjetivo. Acreditamos que ao providenciar esse espaço, reduzimos o risco de indivíduos usarem a organização para esse fim. Exemplos de como isso pode ser praticado incluem uma roda de diálogo ou uma reflexão conjunta sobre como cada um está conseguindo se expressar dentro da organização. Nesse sentido se assemelha muito a uma retrospectiva no Ágil, divergindo no fato de que não existe um plano de ação final. A função cuidar não é para tomar decisões ou achar soluções. O foco é reconhecer e refletir sobre os padrões existentes nas relações.

Dentro da função cuidar também é possível realizar processos autoavaliativos sobre como cada um está desempenhando os seus papéis no círculo. Essa dinâmicas buscam ampliar a percepção do grupo e criar auto-regulação sem que um chefe faça isso.

buzON: Sei que foi só o primeiro de uma série, mas seria possível já passar alguns “spoilers” do que vem por aí?  

TT: Muita coisa vem por aí! Estaremos em setembro em Belém na Agile Brazil com uma sessão de “Papo de Boteco” sobre o O², mas qualquer um pode já contribuir remotamente com o desenvolvimento do catalisador via Github.  Em breve disponibilizaremos o Pattern e o Rogue Book versão beta. Também planejamos falar em detalhes nos próximos posts sobre cada uma das funções do O2, com exemplos de aplicação. Por fim, criaremos também um post sobre como iniciar um piloto de O2 no seu time ou organização. Fiquem ligados 🙂


Obrigado Target Teal e desejo sucesso nos seus empreendimentos! 

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Sobre o Autor

buzON administrator

Rafael Ferreira Buzon é certificado CSM – Certified Scrum Master e PMP – Project Management Professional; tem extensão em Gestão de Marketing, Gestão de Pessoas e Gestão de Projetos pela FGV; formado em Sistemas de Informação pela UNESP; Palestrante em conferências Ágeis; Já trabalhou em consultorias de tecnologia para Educação, Inovação, Portais colaborativos, E-commerce e Gestão do conhecimento. Também é co-fundador do kudoos.com.br e Lean Coffee São Paulo. Tem implementado metodologias ágeis há 6 anos, como Scrum e XP, além de modelo híbridos e também realizado migrações de sucesso de Scrum para Kanban.

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